segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Uma Reflexão sobre as eleições 2012 em Manaus

O resultado das eleições em Manaus tem um quê de inusitado: entre mortos e feridos, escaparam poucos. Em outras palavras, dois venceram e o resto perdeu e de forma contundente. Os vencedores foram o Henrique Oliveira e o candidato Artur Neto dos Tucanos, mas dentre os derrotados a lista é longa: Serafim Correa, Sabino, Vanessa Grazziotin, Omar Aziz, Eduardo Braga, Dilma, Lula e o PT. A diferença entre os vencedores é imensurável; o Henrique soube aproveitar um espaço político da mesma maneira que a Marina Silva soube fazê-lo nas últimas eleições presidenciais. Passada as eleições, a candidata do PV desapareceu na fumaça das queimadas, porque os seus eleitores não necessariamente a queriam na Presidência; eles deixaram claro que queriam uma alternativa. O candidato do Alfredo Nascimento é passista no mesmo enredo. O futuro prefeito Artur Neto, pois que o quadro é irreversível, é um orador nato, político na essência, pena que represente os interesses dos paulistas do PSDB, que não nos são nada simpáticos.
As razões dentre os derrotados, também são discrepantes e caminham exatamente na ordem contrária da lista. Primeiro perdeu o PT, mergulhado no escândalo do Mensalão, trazendo de quebra a queda do prestígio amazônico do ex-presidente Lula; nesse turbilhão veio junto a Presidente Dilma que discretamente ficara de pé na amurada vendo a tempestade se aproximar. Dito e feito. O barco afundou e ela se atracou no primeiro pedaço de pau flutuante e se deixou levar pela correnteza.
O Senador Eduardo Braga pagou na terra o que a Deputada Rebeca Garcia esperava ver resolvido no purgatório. Atirou no próprio pé e descobriu que, manco, não é o líder político que supunha ser. Aquele balançar de cabeça que ele aprendeu com o seu padrinho e padrasto e agora desafeto, Amazonino Mendes, nem de longe tem a ginga malandra e convincente deste, pelo contrário, apenas aumenta a rejeição ao seu nome.
O Governador Omar Aziz mostrou de vez que além de não ser bom de voto, também é um péssimo cabo eleitoral. Ficou-lhe claro que o cargo que ocupa foi obra do acaso e muito em breve ficará no passado, para nunca mais. Resta-lhe a eterna possibilidade de ser vice de qualquer coisa, porém como ele consegue essa proeza poucos sabem com clareza.
A candidata Vanessa perdeu a eleição porque jamais foi convincente e só deixou de lado a arrogância de uma vitória certa, quando todos os compartimentos estanques de seu Titanic, transbordavam de água. Tentou ser populista batendo forte em um dos maiores expoentes do populismo amazonense, o Prefeito Amazonino, na vã esperança de destroná-lo para o bem dos seus tutores, Omar e Eduardo. Mas do enfermo Prefeito, a candidata resgatou a velha e cansada tática de ser vítima, a coitadinha, quando se deixou levar por uma historieta banal, chula, envolvendo – quem diria – um ovo. Foi de lascar a casca. Tentou ser crente e católica e mãe-de-santo ao mesmo tempo, tudo junto e misturado. E lembrando aquela velha história do “valha-me São Francisco!!!”. Ao que uma voz celestial retruca: “de Assis ou das Chagas?”. O “de Assis” responde o pedinte em desespero; “Ah! Desculpe, eu sou o das Chagas”. No funeral, apenas os amigos mais chegados.
Os dois últimos derrotados, porque não dizê-lo os massacrados, o Sabino Castelo Branco e o ex-prefeito Serafim encerram definitivamente as carreiras políticas. O Sarafa devido à idade e a orfandade política, nascida com a morte do Senador Jéferson Peres; o Sabino devido à ficha que é mais suja do que pau de galinheiro. O desespero do Sabino durante o período eleitoral era tão grande, que em vez de adotar um discurso populista, incorporou um messiânico que extrapolava a cretinice ao se apresentar como único salvador dos pobres. Com o diabo no corpo, bateu em todo mundo e apanhou do povo.
Os leitores mais atentos hão de indagar: e o Reizo Castelo Branco, o filho do Sabino? Não é um vencedor? Que nada, responderei. O Reizo, o Vereador mais votado, entrou para o anedotário político-sexual amazonense: tem dois milhões de cidadãos à sua mercê. Relaxe, leitor! É inevitável. Quando você precisar de qualquer serviço público municipal, você sentirá a presença do Reizo, rindo no seu cangote.

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